E de repente, aquele acto que há tanto tempo já existia ganhou um nome: selfie.

Sim, o acto de tirar fotografias à própria fronha não é nada de novo. Lembro-me por exemplo de um colega meu do secundário, que numa visita de estudo não fez outra coisa, tendo torrado o rolo todo da máquina a tirar fotografias a ele próprio. E na altura ninguém chamava selfies a isto. Era simplesmente algo francamente parvo. Muitos dos que agora estão acima dos 30 anos lembram-se certamente de terem visto pessoas a tirar fotografias a elas próprias em frente a grandes carros, dando a entender que eram deles. Ou se calhar, muitos dos que estão a ler isto lembram-se agora que também o fizeram. Aliás, como qualquer turista totó foram muitos os que tiraram fotografias em frente a sítios caríssimos para depois dar a ideia de que lá estiveram, quando não passaram ali da porta. E isso, muitos continuam a fazer.

Mas eis que há uns tempos não sei como nem onde, surgiu mais uma designação. Pergunto-me que raio de ocupações têm estes tipos que inventam estes nomes. Provavelmente, pessoas com demasiado tempo livre nas mãos. Mas pior do que a ideia do vício em que se transformou o acto de tirar fotografias em frente a monumentos ou outras pessoas e coisas do género, inventaram os selfie stikcs. Basicamente, um pau com um encaixe para o telemóvel. Agora digo eu, o mesmo se fazia com uma vassoura e uma mola da roupa… Este pau pode dar jeito porque oferece uma diferente perspectiva da fotografia, mas haja paciência. Agora anda tudo de pau na mão a tirar fotografias com tudo o que lhes passa pelas costas… Francamente, aquilo deve dar jeito sim para coçar as costas ou para dar umas vergastadas jeitosas em quem as merecer, nomeadamente pessoas que os usam um irritante número de vezes e em situações substancialmente estúpidas. De lembrar que já morreram pessoas em diferentes pontos do planeta devido às selfies que estavam a tirar…

Não desejo mal a ninguém, mas até calhava bem uma valente caganeira a quem tira fotos ao trombil matinal enfeitado com um penteado lunático e depois as publica no Facebook com um pensamento poético do género “Eu, hoje”.

Para piorar a estupidez, entretanto houve um génio qualquer que inventou a selfie spoon. Sim, uma colher que segura o telemóvel. Assim, já se podem tirar fotografias enquanto se come. Aqui está uma bonita forma de guardar registos do bolo alimentar durante a sua formação e eventualmente dos restos de comida que ficarem no canto da boca, na barba ou no bigode…

Esperamos impacientemente pela selfie tolete, que captará de uma nova perspectiva a queda daquilo que horas antes foi bolo alimentar…

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